A arte imitando a vida: o que há de história real em ‘Game of Thrones’?

Game of Thrones pode ter seres fantásticos como dragões, Caminhantes Brancos e gigantes, mas um bocado do que acontece nos livros de George R.R. Martin, e também na série feita por David Benioff e D.B. Weiss para a HBO, é baseado em fatos históricos – tanto que a respeitadíssima Universidade Harvard está oferecendo um curso que traça paralelos entre as obras de ficção e a realidade, dado pelo historiador Sean Gilsdorf, especialista em Estudos Medievais, e por Racha Kirakosian, professor assistente de Estudo da Religião. O próprio George R.R. Martin, que estudou um pouco de história quando universitário, já admitiu ter usado como modelo para As Crônicas de Gelo e Fogoa Guerra das Rosas, conflito que pôs duas casas – Lancaster e York – na disputa pelo trono inglês, ao longo de boa parte do século XV.

As comparações entre fato e ficção foram exploradas em livros como Winter Is Coming: The Medieval World of Game of Thrones (“O inverno está chegando: o mundo medieval de Game of Thrones”, em tradução livre), da professora de Literatura Europeia Medieval da Universidade de Oxford Carolyne Larrington. “No momento em que vi a Muralha no episódio que abriu a primeira temporada da série, com os lobos e a descrição da sociedade em Winterfell, percebi que era um programa para levar a sério”, diz Larrington.

Para  Brian A. Pavlac, professor de história do King’s College, no Estado da Pensilvânia, e organizador do livro Game of Thrones versus History: Written in Blood (“Game of Thrones x História: escrito com sangue”, em tradução direta), foram as questões de justiça e política já no programa-piloto, nas cenas entre Ned Stark (Sean Bean) e o Rei Robert (Mark Addy), que mostraram “um bom senso de temas históricos”.

Kelly DeVries, que é professor de história da Loyola University Maryland, por sua vez se mostra menos entusiasmado com os cruzamentos. “Claro que os Starks são os York na Guerra das Rosas, e os Lannisters são os Lancasters, mas, fora os nomes, não há muitas semelhanças. Não houve incesto, nem corvos de três olhos, nem casamentos vermelhos, banhados de sangue. E, óbvio, nenhum dragão.”

Ser versado em história, porém, pouco ajuda para descobrir quem vai terminar sentado no Trono de Ferro. Kevin Uhalde, professor associado de História da Universidade de Ohio que vê com bons olhos a maneira como a arte se espelha na história, ao mostrar que, independentemente da quantidade de riqueza e de poder, os jogadores estão à mercê do inesperado, do imprevisível e do incontrolável, diz não ter a mais vaga ideia. O mais vago spoiler.

Pavlac só sabe que muita gente vai morrer (não diga) e acha, como Jon Snow (Kit Harington), que o mais importante é a grande guerra contra os Caminhantes Brancos. Para Larrington, Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) será a soberana. Já DeVries diz que sabe quem vai vencer a guerra dos tronos, porque os produtores deixaram escapar a informação durante uma entrevista para extras do DVD e o fizeram jurar não revelar a ninguém. “Mas eu teria escolhido essa pessoa mesmo se não tivessem me falado”, disse. “Para mim, a conclusão é bem óbvia, mas, como todo mundo me faz essa pergunta, talvez não seja tanto assim.”

Uma família, os Lancaster, do Sul da Inglaterra, luta contra outra família, os York, do Norte, pelo trono – história real que, antes de George R. R. Martin, serviu de inspiração a William Shakespeare. “Ricardo de York, que era Protetor do Reino, teve sua cabeça cortada, como Ned Stark. O Rei Robert Baratheon é como Eduardo IV, um bon vivant que se casa com a mulher errada e morre jovem. Cersei (Lena Headey) é Margarida de Anjou, que manipulou em nome de seu marido, o rei, acometido por problemas psicológicos, e seu filho contra os York”, completa.

 

 

 

 

 

 

 

(FonteMariane Morisawa/Veja)

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