Opinião no Público Alvo: Professor Politizado

Por Rogério Carvalho*
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Apesar de ter sido retirado de pauta no Congresso, tem se espalhado pelo Brasil, principalmente pelas câmaras municipais que possuem uma bancada evangélica consistente, uma tendência à aprovação de leis consoantes com as ideias do Projeto “Escola Sem Partido.”

A quem interessaria coibir a abordagem de temas ligados à religião, desigualdades sociais e ainda às liberdades individuais? Por que esta preocupação em dar um golpe de misericórdia na já combalida capacidade de reflexão da escola? Por que combalida? Porque sabemos que a formação e o ativismo político hoje são elementos raros na formação dos docentes.
Com todo respeito aos colegas e às suas necessidades, sabemos que muitos só estão no magistério para sobreviver, não agregando qualquer valor à sua prática, não porque não querem fazê-lo, mas simplesmente por não terem sido preparados para isso.
Pode soar até meio arrogante da minha parte, mas é que eu fui aluno de escolas que mudavam vidas. Meu Ensino Médio foi um curso de Formação de Professores em uma Escola Estadual em Campos (Benta Pereira) e foi lá descobri o papel do Magistério na construção da sociedade. E por falar nisso, aproveito pra dizer que deveríamos lutar para fortalecer os professores do primeiro segmento, pois todo o restante da vida escolar depende da qualidade ali empregada.
A gente tá acostumado a acreditar que a ” tia” do primeiro segmento é menos importante do que os professores do fundamental e médio, principalmente em relação aos que cursaram universidades públicas, ideia que precisa ser repensada. Até porque a gente conhece uma porção de profissionais oriundos de ótimas formações acadêmicas, mas incapazes de se comunicarem com os alunos, tanto didática, quanto afetivamente.
Oferecer aos professores uma formação politizada, não significa doutrinar, mas sim capacitá-lo para se contrapor à ignorância que volta e meia tenta se institucionalizar na escola.

Só a escola que muda vidas pode mudar a sociedade. Sei do que estou falando, e inclusive não foram as escolas particulares onde estudei que mudaram a minha vida, mas sim uma escola pública. Nós professores precisamos fazer da escola um espaço de transformação. Nem pastores, nem padres ou muito menos vereadores podem influenciar os rumos da escola pautados em seus interesses doutrinários, políticos ou econômicos.

#ME15deoutubro

* Professor de História, escritor e fundador do Movimento Educacional 15 de Outubro.

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