TURISMO DE MASSA : SIM OU NÃO ?

Por Cláudio Leitão*

 

A opção feita pelos dois últimos prefeitos (Alair e Marquinhos) por um “turismo de massa” passa por um esgotamento na infraestrutura da cidade que não acompanhou a evolução no número de visitantes e já há algum tempo é questionada por grande parte da população em função dos transtornos que causam. A pasta do Turismo nestes governos, ao longo de duas décadas, nunca foi ocupada por um técnico ou um especialista na área. Sempre foram feitas indicações políticas, logo nunca houve, de fato, um projeto integrado e nem uma avaliação sobre os “ganhos e perdas” para a cidade deste modelo e seus impactos na vida do morador.

Algumas questões precisam ser avaliadas por um estudo técnico de viabilidade turística. A renda gerada e apropriada pelos comerciantes, hoteleiros e demais segmentos empresariais não são públicas e sim privadas. Este ganho empresarial se transforma em impostas para o município? Quanto?

Gera quantos empregos de carteira assinada? Nunca ninguém respondeu isso.
Os gastos públicos na limpeza da cidade, em pessoal e maquinário mobilizados para tais tarefas, um maior investimento na saúde devido ao aumento da demanda, além de outras áreas do setor público envolvidas, compensam o retorno em impostos e em imagem para a cidade? O valor excessivo gasto em shows milionários num passado recente para atrair este perfil de turista vale o retorno? São também questionamentos sem respostas. Não há nenhuma avaliação ao final da temporada.

Mais da metade da população vive na informalidade, logo, esta opção pelo turismo massificado permite gerar emprego sem qualificação e de baixa remuneração para estas pessoas. É uma artimanha política pragmática que gera votos e aceitação, mas não tem um caráter duradouro. Não há um controle efetivo do número de trabalhadores autônomos. Existem escolhas por critérios políticos e não de necessidades reais para as pessoas exercerem o direito ao trabalho. Nunca houve um projeto integrado de qualificação profissional para melhorar a empregabilidade e a renda destas pessoas.

Neste início de ano, toda esta desorganização ficou e ainda está patente. Será que a população está feliz com o tal quadro? O turista pode até estar, mas a população não está e a mídia e as redes sociais estão capturando toda esta insatisfação. Alair no ano passado chegou a pedir ao morador para andar a pé e deixar os carros só para os visitantes. O verão é para eles ?

O governo é eleito para governar prioritariamente para a população da cidade e ela nunca é consultada. Participação popular na administração pública não é e nunca foi o forte “destes caras”.
Para sairmos desta discussão estéril, onde ninguém apresenta dados reais, até porque como foi citado não há um estudo sério de viabilidades, precisamos de uma transformação na Secretaria de Turismo e também na Secretaria de Desenvolvimento com gente preparada e com “expertise” nestas áreas para finalmente fazer uma gestão qualificada com um projeto exequível que integre todos os setores envolvidos.

O problema é que “eles” não querem nenhum tipo de mudança, mesmo que seja para beneficiar a cidade, pois com este “esquema” conseguem mandatos sucessivos.

Ao longo dos anos os valores gastos com estes shows milionários são a prova cabal desta irresponsabilidade. Foram milhões de reais gastos sem nenhuma transparência numa cidade que atravessa sérios problemas na saúde, educação, transporte, saneamento e habitação popular. São escolhas feitas sob encomenda para gerar este perfil turístico e fazer a manutenção daquela velha política “pão e circo” que seduz uma parcela significativa da população, que não percebe que o benefício fugaz de uma renda extra neste período não compensa as agruras que vai passar o ano todo nestas áreas de políticas públicas essenciais citadas. Depois ainda querem reclamar da “crise” !

Por que não valorizar mais os artistas locais?
Por que não descentralizar mais os locais para shows, abrindo possibilidades de uma variação maior de ritmos e estilos?
Por que não implantar um projeto semelhantes às lonas culturais que demandam uma estrutura bem menor e mais barata e nem por isso menos divertida?
Porque não temos um calendário turístico e o aproveitamento integral de todas as potencialidades de nossas belezas naturais na criação de novas modalidades turísticas?

Diversifica as opções e também os turistas. Abre possibilidades a todos. Não sugerimos uma política segregacionista e impeditiva do turismo mais massificado, mas é preciso buscar uma conciliação também com os interesses e as necessidades dos moradores.

Falta interesse público, criatividade e ação. O problema é que “eles” têm uma necessidade enorme de se mostrarem “grandes realizadores” com o ego suplantando os interesses públicos e coletivos.

“Um povo de cordeiros sempre terá um governo de lobos”
Ditado Popular

*Claudio Leitão é economista, professor de história e militante do PSOL Cabo Frio.

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